EX-CRIPTA
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Sigam-me os Bons
Se o meu Koogan/Houaiss me disse que crônica é o gênero literário da apreciação pessoal dos fatos cotidianos, eu penso que, além de limitá-la a 140 caractéres, o twitter deu-lhe enfim a liberdade de ser plena. Instalou-se na rede o templo dos fatos corriqueiros, em que a subjetividade é transmitida de modo bastante objetivo. Claro que alienação, autocelebração, solidão e exagero são as peças-chave para o sucesso dos tweets, mas são quais, se não esses, os traços que melhor desenham a minha geração? A crônica tornou-se menos literata e mais literal! Notícias de última hora, fofocas, sugestões, politicagem, frases de impacto, humor de todos os gostos e detalhes até bastante sórdidos; todos têm seu lugar garantido. Mas são muito poucos, entre milhões de twitteiros, os que possuem o "luxo do grande artista", que o cronista, e grande artista, Rubem Braga definiu como "atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos". Lanço, pois, o desafio. Não culpemos mais o papel pelo texto ruim. Mostremos de um fato comum a face que o torne apreciável. Sigam-me os bons.
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